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Eu acho deletéria ao país, à democracia e ao próprio governo a ideia de q não se deve criticar, apenas confiar em Lula, sob pena de fazer o jogo do inimigo No entanto, no q diz respeito aos militares, tenho simpatia pela tese do voto de confiança, pelo “deixa o homem trabalhar”+

As deformações da tradição intervencionista dos militares invocadas por quem defende uma espécie de enfrentamento em toda a linha são reais. A gravidade dos últimos fatos também +
Mas estes pressupostos verdadeiros, ao invés de recomendarem o choque aberto, pedem uma luta longa, de baixa intensidade e muita estratégia +
A missão é complicada: trata-se de vertebrar uma estrutura de comando legalista, que deixe de lado as questões políticas, aceite as regras jogo e esteja disposta a enfrentar, militarmente se necessário, qq aventura golpista +
Tudo isso em meio ao complexo cenário que viveremos no próximo período, leia-se, nos próximos anos, quando os envolvidos no 8 de janeiro e os responsáveis pelos crimes cometidos durante os 4 anos de Bolsonaro, vários deles militares, imagino, serão punidos em um longo processo +
Tenho o palpite de que muitos adversários do governo, inclusive alguns que apoiaram Lula de nariz tapado, estão adorando ter este elemento de instabilização permanente pra manter o governo fraco e refém do mercado +
Resolver a insubordinação militar, problema que atravessa a vida do país desde a guerra do Paraguai, não é tarefa de açougueiro, é serviço de neurocirgião +
+ especialmente no porque, ao final deste processo complexo, precisamos ter forças armadas modernas, coesas e prontas pra dissuasão externa. Fico bobo com parte da esquerda que fala tanto em colonialismo, mas esquece o que ele significa do ponto de vista geopolítico +
Ao dizer isso não estou defendendo que não precisa haver enfrentamento. Claro que precisa. Mas não é uma briga de rua: há a hora de golpear e a hora de subir a guarda, numa sucessão de movimentos +
Assim, penso que o melhor caminho é permitir que ela seja conduzida por um centro, um comando, e que a gente confie nele. Por isso, acho que se Lula indicou Múcio teve boas razões. Se manteve depois do 8 de janeiro, também. E se demitiu hoje o comandante do exército, idem +
Tratar essas questões como matéria de agitação não contribui. Isso não significa deixar de debater e opinar, mas seria importante fazer isso fora da chave de guerra civil que marca a nossa cultura política atual +
onde todas as saídas são tratadas como se fossem óbvias e as únicas aceitáveis moralmente. É claro que toda a questão com as forças armadas envolve uma dimensão moral e ética, mas é preciso que o líquido no qual as discussões aconteçam seja o da política +
Já pedindo escusas (como dizia um recém-falecido de triste memória) pela metáfora pobre, vem à minha mente a imagem de alguém que vai desarmar uma bomba e tem ao seu lado 40 pessoas gritando: “corta o fio verde! Não, o vermelho! Não, nada disso, dá uma marretada nesse negócio”.
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