Vi os posts recentes sobre Mariana Mortágua e o doutoramento em "Economia Política" do ISCTE, e deixo aqui mais informação que considero relevante sobre o que se passa noutra faculdade, neste caso, o ISEG.
Tem havido alguma confusão em relação à bibliografia, porque no final de contas, um regente de uma cadeira recomendar um livro escrito por ele, é algo normal. Eu vou explicar qual é o problema. Segue o fio

A disciplina de “Macroeconomia II” é a 3.ª disciplina de macroeconomia da licenciatura de Economia do ISEG. É uma disciplina de “macroeconomia intermédia de longo prazo”
Normalmente para uma disciplina destas, os pré-requisitos (precedências) são Matemática I & II, Economia II e Macroeconomia I, tudo isto disciplinas mais avançadas do que aquelas que são ensinadas noutras licenciaturas de ciências sociais.
O problema é que este livro é de carácter introdutório. Tal como pode se ouvido a partir do minuto 05:51 deste vídeo, o próprio Francisco Louçã admite que este é um livro introdutório e destinado a um público amplo, e não apenas a estudantes de macroeconomia intermédia.
A vontade de “capturar mercado” falou mais alto do que a vontade de ensinar de forma rigorosa.
Aliás, na licenciatura em “Política, Economia e Sociedade” do ISCTE, este livro está na bibliografia (opcional) da disciplina de “Introdução à Economia” que é dado no 1.º semestre do 1.º ano.
E não é um livro de “Macroeconomia”, mas sim de “Economia Política” como o autor relembra no minuto 09:22 do vídeo que eu postei anteriormente.
Dado que as licenciaturas devem estar estandardizadas para os alunos que as completem possam candidatar-se a mestrados e doutoramentos de outras universidades e países, o baixo nível de exigência e rigor desta disciplina prejudica os alunos que tenham ambições internacionais.
Isto pode ser prática normal pela frequência com que acontece em Portugal, mas não é normal nas melhores práticas de gestão universitária.