O Banco de Portugal acabou de publicar um importante estudo que permite uma melhor caracterização dos trabalhadores estrangeiros em Portugal, baseada nos microdados da Segurança Social entre janeiro de 2010 e setembro de 2025.
Quais são as principais conclusões deste estudo?
i) Em 2025, havia 1,13 milhões de estrangeiros registados na Segurança Social, quer como trabalhadores por conta de outrem quer trabalhadores independentes. Em 2010, eram 152 mil (gráfico 1).
ii) Entre 2010 e 2024 registaram-se cerca de 1,4 milhões de entradas de estrangeiros, das quais 1,2 milhões ocorreram desde 2018 (gráfico 2). A grande maioria destes indivíduos estrangeiros entraram em Portugal como trabalhadores por conta de outrem
iii) Entre 2010 e 2024, as principais entradas por nacionalidade (gráfico 3) foram:
38% foram provenientes do Brasil
19% da Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão,
14% dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP)
14% da União Europeia ou do Reino Unido
iv) estes trabalhadores estrangeiros entraram para os seguintes sectores:
20% para atividades administrativas e serviços de apoio,
18% para o alojamento e restauração,
15% para a agricultura e pesca
14% para a construção
10% para o comércio e 7% para a a indústria
v) Estes trabalhadores estrangeiros passaram cerca de 86% do tempo de permanência no país em situação de emprego por conta de outrem, e 5% do tempo como trabalhadores independentes
O subsídio de desemprego representou somente cerca de 1,7% do tempo de permanência dos trabalhadores estrangeiros, enquanto as outras prestações sociais corresponderam somente a 0,9% desse tempo.
vii) os trabalhadores estrangeiros que passaram menos tempo de permanência com subsídios de desemprego, outras prestações sociais ou pensões, são provenientes do Norte de África, da India, Bangladesh, Nepal, e da América Latina (exc Brasil) (Quadro 2)
viii) Há uma percentagem muito semelhante de indivíduos nacionais e estrangeiros que participam no mercado de trabalho, embora haja uma maior prevalência de trabalhadores independentes entre os estrangeiros. Porém, os trabalhadores nacionais apresentam uma proporção um pouco maior de beneficiários de prestações sociais e de pensões da Segurança Social (gráfico 5)
ix) Quanto tempo permanecem em Portugal estes trabalhadores estrangeiros?
cerca de 52% dos trabalhadores estrangeiros permanecem pelo menos 5 anos
aproximadamente 40% destes trabalhadores permanece nos registos da Segurança Social ao fim de 10 anos.
na OCDE, a permanência é em média 54,3%, embora seja bem mais alta no Canadá (79,4%) e no EUA (87,5%)
x) os trabalhadores estrangeiros com laços parentais permanecem mais tempo, tal como acontece noutros países que recebem imigrantes.
Para ler mais sobre o assunto e ter mais detalhes sobre este estudo, pode consultar o novo Boletim Económico do Banco de Portugal:
https://lnkd.in/eUN5xY-9